domingo, 14 de novembro de 2010

Minha doce nostalgia

Estou com 20 anos e só consegui parar pra pensar que eu já vivi duas décadas hoje. Fui para casa de meus avós. Quando entrei tomei um susto. Escondidos pelos óculos escuros, meus olhos estavam arregalados. Tudo estava tão igual a 20 anos atrás... Entrei na sala, todos os mesmos quadros, e como sempre caminhei pela copa e gritei ‘vóóóó bençaaa’ como fiz a vida toda abraçando aquela senhora que nunca deixou de sorrir pra mim um dia sequer, NUNCA!

Ver as coisas iguais fez com que eu me sentisse diferente. Eu olhei nos olhos da minha vó, com o tempo ambos envelhecemos.... Mas foi o encontro de dois olhos que não se viam a um tempo, mais que sempre se cruzaram, se amaram e ficaram pequenos quando estávamos sorrindo. Eu vi a escada que dava pro ateliê da minha tia, ela costumava ser a minha ‘ USS Enterprise’, eu ficava horas lutando contra monstros imaginários com um pedaço de madeira na mão que costumava chamar de espada. Vi no quarto do meu avô sua jaqueta de couro na parede e seus filmes em VHS na estante, estampados como troféus. Ali era aonde aprendi a amar os filmes. Aproximei-me e vi a fita de ‘ Twister’ o primeiro filme que assistira com meu avô. Veio-me na mesma hora toda a empolgação que senti naquele dia, e eu confesso, quase chorei.

Sentei na varanda pensando em tudo que vivi e no quanto havia mudado em tão pouco tempo... Eu era uma criança sonhadora, amava todos os mundos imaginários que visitava. Foram apenas 20 anos e já queria voltar e viver aquela infância toda novamente. Queria voltar pro momento em que eu era apenas uma menino pequeno e tímido. Nunca quis crescer.

Em meio a todas aquelas lembranças quase as vivi novamente, consegui enxergar perfeitamente meu ‘eu’ com 8 anos correndo pela casa de chinelos raider, bermuda, camiseta verde e óculos meio garrafão. O teto da garagem que antes eu e meu irmão escalávamos e ficávamos dependurados para encostar a mão, toquei sem esforço algum. E na hora de ir embora passamos em frente a ‘ Mercearia do Sr. Abílio ‘ aonde eu e meu irmão íamos com o caderno de contas da minha vó comprar biscoitos recheados. Sempre era Passatempo. Passatempo... que ironia... Eu apensas ri sentado no banco de trás do carro olhando pela janela e feliz. Havia trago de volta as memórias do muleque que eu sempre amei ser.

3 comentários:

Unknown disse...

Lindo! *-*

Paula Seção Reservada disse...

Mais que lindo! *.* Pulo, seus textos são mto bons! Nos colocam pra pensar, emocionam...nunca pare de escrever hein!
Bjus e Saudade de vc!

danisborn disse...

Não sabia que você tinha um blog! :O
Amo ler blogs, mas blogs assim, que nem o seu, onde posso conhecer mais a pessoa. Vou ler sempre.

Eu também tenho esses momentos. É estranho quando se percebe que o tempo passou, que já não se é o mesmo, que aquele seu 'antigo eu' já não existe mais.